O agro é pop, jovem e tecnológico: Juliana Chini fala sobre a expansão do setor

Consultora e empreendedora, Juliana Chini é uma entusiasta da tecnologia no campo e da comunicação como instrumento para levar aos consumidores informações relevantes sobre a cadeia produtiva nacional. Ao lado de Mirella Cais e Melina Cais, criou em 2015 o Blog da Carne, portal que reúne conteúdo, informação e entretenimento para amantes de carne bovina. Desde então, o site se tornou referência sobre o assunto e já conta com cerca de 5.000 seguidores no Facebook.

Juliana revela que não sabia da importância do agronegócio antes de ingressar na Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), da USP. Durante o curso de economia, se envolveu em projetos de agro e ajudou a fundar um grupo de gestão e marketing focado na área. A partir daí, aprofundou as pesquisas, fez mestrado em gestão internacional e está sempre por dentro das novidades do agronegócio. Para ela, três temas têm ganhado mais destaque atualmente: tecnologia, marketing e emprego.

“Tecnologia é um tema atemporal, importante para aumentar a eficiência. E o Brasil sempre apresentou excelentes exemplos e que ganhou a devida notoriedade com as AgTechs e o nosso ‘Vale do Silício’”, explica ela. “Marketing, junto com comunicação, é essencial para apresentar aos consumidores toda essa tecnologia e boas iniciativas do setor. E emprego porque, no atual cenário, estamos vendo um ‘fugere urbem’ (expressão em latim que significa ‘fugir da cidade’) de pessoas buscando emprego no agro, já que o mesmo tem apresentado um bom desempenho, apesar da crise econômica”, continua, lembrando que a tecnologia tem sido um fator motivador para manter ou mesmo para o ingresso do jovem no campo.

A consultora entende que o agronegócio brasileiro está em franca expansão, apesar da pouca repercussão para grande parte da população. “O agro está mais ‘pop’ que nunca. Com um crescimento de 13,4% – que sustentou o país no PIB do primeiro trimestre –, além da supersafra, as tecnologias que estão emergindo, o ganho em eficiência e valor agregado têm apontado para a força do campo. Agora é o momento de dar a devida valorização ao agronegócio. Outro dia li que Mark Zuckerberg e Bill Gates descobriram o agronegócio brasileiro. Se eles, que possivelmente são as pessoas mais conectadas do mundo, só descobriram agora, imagina a nossa população, em que apenas pouco mais da metade têm acesso à internet”, pondera.

Tecnologia e Inovação

A especialista ressaltou que a utilização da tecnologia e dos serviços de inteligência no campo são fundamentais para o aumento da oferta de alimentos, algo inevitável em um panorama que mostra a necessidade de 60% mais alimentos e 40% mais água no mundo até 2050, segundo projeções da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura.

“Mesmo que fosse metade deste crescimento, já seria muita coisa. E só será possível produzir mais alimentos, utilizando menos recursos, com a tecnologia. Por isso vemos até a Nasa auxiliando em tecnologias brasileiras com esse objetivo. Há startups de jovens emergindo com um nível tecnológico altíssimo, resolvendo problemas e aumentando a eficiência na gestão, produção e logística. A tecnologia também poderá ser responsável pela redução do desperdício, que é outro fator agravante da fome no mundo”, diz.

Juliana considera que a inovação tem sido constante no agronegócio brasileiro. “A cada dia sou surpreendida com os avanços da tecnologia no campo. Acho sensacional o uso de sensores e IoT (Internet das Coisas). Hoje tudo é conectado: máquinas agrícolas, animais e cultivos. Antes a produção dependia de ir até lá para ver o que está acontecendo. Hoje o produtor pega o tablet, tem esse conhecimento e, por meio dos dados e informações, consegue previsões, o que até então era uma dificuldade enorme. A Agronow  é um exemplo de solução tecnológica que atua nesse sentido. Parabenizo o trabalho e espero que continuem sendo uma referência de tecnologia no agronegócio.”

Mercado da Carne

O crescimento de movimentos como veganismo, vegetarianismo e ovolactovegetarianismo e notícias de fontes duvidosas nas mídias sociais muitas vezes causam ataques aos apreciadores de carne. Para Juliana, que tratou no Blog da Carne de temas como a Operação Carne Fraca e boatos sobre uma recomendação da ONU para redução do consumo de carne – desmentidos posteriormente –, a principal ferramenta para desmistificar o assunto é a comunicação.

“Se tivéssemos uma entidade ou iniciativa forte de comunicação que representasse todo o setor, as consequências não seriam tão drásticas, porque a resposta teria sido mais rápida. O consumidor desconfia do que não conhece. Por isso, ele precisa conhecer a cadeia, de onde vem aquilo que consome, como é produzido. Mas isso ele só saberá se houver comunicação. Os vegetarianos possuem uma associação e realizam anualmente um congresso para os consumidores. Não devem ser vistos como barreira, mas como um benchmarking”, opina.

Nesse sentido, ela considera o trabalho desenvolvido nos quase dois anos de blog bem sucedido. “Ficamos muito contentes em perceber que somos um portal de referência em informação sobre carne bovina. No início tínhamos certa dificuldade de alcançar os consumidores; hoje, são eles que nos procuram. Isso aconteceu devido a uma mudança de paradigma. Até então, informação sobre carne, apesar de escassa, não parecia ter tanto valor, à medida que a diferenciação de cortes, raças, modos de produção estava incipiente, ou de difícil acesso. Hoje, vamos ao açougue do bairro e facilmente encontramos um corte diferente. Acredito que o Blog da Carne, com tantos artigos tratando esses temas, contribuiu para que a oferta de carnes diferenciadas aumentasse.”

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