Mulheres do Agro: Maria Afonsi, um fruto da roça

Há quem fique doente de saudade quando passa um longo período longe do aconchego do lar. E a produtora rural Maria Afonsi Oliveira, moradora de São José dos Campos (SP), levou a cabo esta máxima. Criada na roça de Ilicínea (MG), Maria renovou seu laços com o campo após uma doença severa decorrente do estilo de vida que se leva na zona urbana.

A infância na zona rural acostumou o organismo da hoje produtora a uma dieta balanceada, com alimentos vindos da terra, sem conservantes ou qualquer tipo de química. Ao se mudar para a zona urbana da cidade, com 10 anos, Maria Afonsi começou a sentir no corpo os efeitos de uma alimentação industrializada. Foi quando descobriu uma doença inflamatória no intestino, que a acompanhou durante o tempo em que morou na cidade.

Antes de adquirir um sítio de cinco hectares e meio na zona rural de São José, onde produz, entre outras coisas, maracujá, limão, couve e ervas finas, Maria trabalhou como bancária em São Paulo e, mais tarde, como executiva de vendas, já em São José.

“Eu cresci me alimentando de uma comida muito rica e muito pura. Nossa mesa tinha guabiroba, melancia, peixe, galinha caipira. Era tudo o que meu pai plantava e tinha em casa. Depois disso, fiquei alguns anos na cidade e não consegui me adaptar. Meu corpo não processava os alimentos e eu passei por crises severas. Quando vi que não dava mais para continuar daquele jeito, resolvi largar tudo o que eu tinha construído e voltar para a roça”, explica.

Voltando para casa

Após um período na cidade natal, onde coordenou por quatro anos um projeto de distribuição de alimentos para pessoas carentes, Maria voltou a São José – de uma vez por todas, instalando-se no sítio onde mora até hoje.

Atualmente, o maracujá é o principal produto da fazenda, com colheita de 15 toneladas anuais – valor que promete dobrar após uma ampliação da plantação. A produção ainda conta com 500 maços semanais de couve e outros 20 quilos de cebolinha e salsinha por semana.

Se o panorama atual é de crescimento, no início as coisas eram complicadas para Maria. Sem muita experiência no plantio, a produtora chegou a desperdiçar aproximadamente quatro toneladas de maracujá por não conseguir dar vazão à colheita.

“Eu plantava ainda sem ter a certeza da venda. Essa inexperiência custou caro. A gente perdia muito da produção e não conseguia compradores em tempo hábil”, comenta.

Notando que os produtores da região compartilhavam das mesmas dificuldades, Maria se uniu aos colegas para criar a CoopVale, uma cooperativa de agricultura familiar. A sociedade completa quatro anos em 2017 e serve como um ponto de encontro para troca de experiências e elaboração de projetos conjuntos entre os pequenos produtores.

“Essa união foi muito importante para ajudar a alavancar a plantação como geradora de renda. Nossa proposta é que, juntos, possamos aproveitar os programas de incentivo ao pequeno produtor oferecidos pelo governo federal. Assim, conseguimos garantir uma boa fonte e não ficamos dependendo das variações do mercado. Outra ideia é implantar o projeto ‘Adote um Produtor’, que vai unir o cliente final ao seus produtores preferidos. Eu mesma já fui adotada por dois restaurantes, que só compram de pequenos”, explica.“Essa união foi muito importante para ajudar a alavancar a plantação como geradora de renda. Nossa proposta é que, juntos, possamos aproveitar os programas de incentivo ao pequeno produtor oferecidos pelo governo federal. Assim, conseguimos garantir uma boa fonte e não ficamos dependendo das variações do mercado. Outra ideia é implantar o projeto ‘Adote um Produtor’, que vai unir o cliente final ao seus produtores preferidos. Eu mesma já fui adotada por dois restaurantes, que só compram de pequenos”, explica.

O amor mora nos detalhes

O amor pela terra corre de forma tão presente nas veias de Maria que até mesmo suas horas de lazer são vividas no campo. Os maiores prazeres da produtora estão ligados aos sentidos que afloram na roça: o cheiro de mato, a textura de uma fruta, o sabor dos alimentos. Ao lado da mãe, Maria Teresa de Jesus, com quem divide a casa, Maria gosta de passar as horas vagas colhendo os alimentos que separa para doar ao programa Mesa Brasil, do Sesc.

“O que me dá mais alegria é colher os produtos que vão para doação. A gente tem muito cuidado com o que levamos para lá e oferecemos com prazer. A alma da gente fica cheia de alegria quando sabemos que estamos levando uma alimentação saudável para pessoas que precisam”, diz.

Com a fala entusiasmada de quem ama cada detalhe do que faz, Maria encanta pela simplicidade e alegria que esbanja ao falar sobre seus projetos. A certeza que fica é que os pequenos produtores de São José dos Campos podem contar com uma motivada defensora da alimentação de verdade.

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