La Niña é confirmado com intensidade fraca e chuvas contínuas até março; fenômeno não deve prejudicar a produção agrícola

O verão começou trazendo chuvas regulares na maior parte do Brasil. As previsões climáticas apontam para um panorama em que as precipitações podem se estender até o fim de março, influenciadas pelo La Niña.

O serviço meteorológico da Austrália (BoM) foi o primeiro a considerar que o La Niña estava caracterizado, no início de dezembro. No fim do mesmo mês, outros órgãos apontaram a ocorrência do fenômeno, com uma intensidade fraca.

O La Niña é identificado quando há registros de resfriamento anômalo de temperatura da superfície do mar com valores inferiores ou iguais a – 0,5º C por três meses consecutivos na região do Oceano Pacífico Equatorial.

Especialistas apontam que a aparição tardia – e com baixa força – do fenômeno não deve criar um cenário climático anormal para a época do ano, que seja capaz de prejudicar a produção agrícola brasileira.

Para Antonio Morelli, cofundador e CDSO da Agronow, o fenômeno poderá até ser benéfico para a maioria das culturas nesse momento, mas pode prejudicar se as chuvas se estenderem até a época de colheita, complicando a logística de armazenamento, secagem e transporte dos grãos, por exemplo.

Segundo a Organização Meteorológica Mundial, há uma alta probabilidade de que as condições do La Niña se estendam até o fim do primeiro trimestre de 2018. Com a presença do fenômeno, o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) prevê a ocorrência de chuvas mais persistentes nas regiões Centro-Oeste e Sudeste; precipitações acima do normal no Norte e Nordeste; e inconstância na distribuição de chuvas no Sul.

O volume das chuvas deve diminuir entre abril e junho, mas as reservas hídricas do solo podem auxiliar no desenvolvimento da próxima safra. No Sul, a produção das culturas de verão, como soja e milho, pode sofrer algum impacto, assim como o mercado do boi gordo, também influenciado pela irregularidade das chuvas.

Segundo o Inmet, durante o verão a temperatura poderá ficar acima do normal na região Sul. No Sudeste e Centro-Oeste, a previsão é de temperaturas de normal a abaixo do normal, enquanto no Nordeste e Norte do país, ficarão dentro do normal.

As condições de temperatura na superfície do mar no Oceano Pacífico Equatorial devem atingir o seu máximo de anomalias até o fim de janeiro. No Oceano Atlântico, os desequilíbrios de temperatura da água do Atlântico Sul também estiveram negativos, ficando abaixo da média principalmente na costa da região Sudeste do Brasil, enquanto no Atlântico Norte foram observadas anomalias positivas. Se as duas condições se mantiverem, poderá ocorrer uma condição chamada de “dipolo positivo” do Atlântico Tropical, que desfavorece as chuvas nas regiões Norte e Nordeste, no próximo período.

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