Wall Street Journal classifica o Brasil como potência agrícola

“Os fazendeiros americanos, que já alimentaram o mundo, são sobrepujados por novas potências.” É assim, taxativo, que o jornal norte-americano “The Wall Street Journal” anuncia o crescimento do agronegócio em países como o Brasil e Rússia. A reportagem, assinada por Jesse Newman e Jacob Bunge, traz um panorama da supersafra da soja e mostra como o Brasil ultrapassou os Estados Unidos como maior exportador mundial dessa cultura.

Além de salientar a cultura da soja, o tradicional jornal ainda destaca que o Brasil está seguindo de perto os americanos em outro importante nicho, o de milho. De acordo com a publicação, a projeção é de que o Brasil assuma o posto de segundo maior exportador do grão, ficando atrás apenas dos norte-americanos.

Para os EUA, o novo panorama é impactante, afinal, eles já foram considerado a “cesta de pães do mundo”.  A reportagem mostra preocupação com este que é um dos pilares da economia norte-americana e que, em 2015 (último ano para o qual estes dados estão disponíveis) movimentou mais de 300 bilhões de dólares, gerando mais de um milhão de empregos.

Outra preocupação latente é o gasto no plano de protecionismo do governo dos Estados Unidos para bancar perdas na exportação agrícola. De acordo com o jornal, a expectativa é de que, ao final de 2027, já tenham sido gastos aproximadamente 87 bilhões de dólares para ajudar os fazendeiros norte-americanos a comprar o excedente da safra.

Eu sou um bloco de texto. Clique no botão Editar (Lápis) para alterar o conteúdo deste elemento.

Trigo

A extensa publicação coloca a Rússia como maior concorrente nas exportações de trigo. O WSJ salienta que a colheita do grão aumentou, na última década, cerca de 61% no país do leste europeu. Mas, também nesta cultura, o Brasil é apontado como possível concorrente, junto com outro país da América do Sul, a Argentina, que “também alavancaram a produção do grão”.

Nestas três culturas, a soja, o milho e o trigo, o jornal aponta que a queda na participação norte-americana no mercado mundial é vertiginosa. Comparando os anos de 1985 e de 2016, os dados mostram que, neste intervalo de tempo, a participação americana no mercado mundial de milho caiu de 56% para atuais 37%. Já no trigo, a queda foi de 30% para 15%. A mais representativa foi a da soja, na qual os Estados Unidos despencaram dos 77% de participação para 38%.

Reestruturação

A reestruturação dos mercados emergentes para tornar seus mercados agrícolas mais competitivos é uma das explicações encontradas para tamanha perda de espaço no mercado mundial de grãos.  A melhoria de rodovias e portos, por exemplo, tem cortado os gastos com o transporte e tornado os produtos mais competitivos.

A publicação destaca que a tecnologia desenvolvida por empresas multinacionais dos Estados Unidos estão contribuindo também para este novo panorama. Tratores, fertilizantes e  tecnologias de satélites muitas vezes são desenvolvidas especialmente para o “mercado estrangeiro”.

A evolução da agricultura brasileira também é destrinchada na publicação. A corrida para o cerrado há cerca de 40 anos é citada na matéria. Os mais de 500 milhões de acres de terra disponibilizados para o cultivo de grãos à época impressiona o jornal, que destaca a área como três vezes o tamanho do Estado do Texas.

Mesmo assim, a publicação também pontua problemas da estrutura brasileira. Um deles é o transporte. A reportagem cita inclusive o caso da interdição de parte da BR-163, que travou centenas de caminhões de soja que iriam escoar a produção em março deste ano.

Entretanto, além dos problemas, o jornal também dá ênfase às medidas que, a partir dos anos 2000, ajudaram a alavancar a agricultura brasileira, como o sinal verde para o uso de sementes geneticamente modificadas. A soja também modificada que combate pragas é outro destaque.

EXPERIMENTE A PLATAFORMA AGRONOW GRÁTIS

Leia também:

Deixe seu comentário