Mapas satelitais: é possível ver tudo do ar (especialmente propriedades rurais)

As imagens de satélite (ou mapas satelitais) são uma verdadeira tomografia da terra, cujas funções impactam diretamente no dia a dia de todas as pessoas. De estudos urbanos ou ambientes ao monitoramento de incêndios, da meteorologia à segurança e estratégias militares, do GPS ao celular: até mesmo uma simples decisão, como sair ou não com um guarda-chuva a tiracolo, passa pelo uso (ainda que invisível) de um satélite.

Setor econômico dos mais importantes para a sobrevivência do homem na Terra, a agricultura é uma das áreas que mais demandam dos dados e análises oriundos dos satélites. “O agronegócio precisa da tecnologia de mapas satelitais em todas as verticais. Os mapas de satélite são um complemento de muita importância para o manejo agrícola, seja na etapa de produção, na etapa de negócios, créditos, etc.”, afirma Arturo Emiliano Melchiori, bioengenheiro pela Universidade Nacional de Entre Rios (Argentina) e CTO da Agronow.

Consultor no Projeto Queimadas, dentro do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), no Brasil, Melchiori atua há mais de 10 anos com sensoriamento remoto. Ele é categórico ao falar do futuro: “tudo é possível de ver desde o ar”, ou seja, cada vez mais os satélites e seus mapas satelitais serão indispensáveis para a vida cotidiana.

Desde o Sputnik 1, o primeiro satélite artificial lançado da Terra, em 4 de outubro de 1957, centenas e centenas de outros satélites artificiais foram ao ar e orbitam o nosso planeta. É a partir deles que aplicativos de GPS funcionam, por exemplo, graças a uma triangulação de sinais que identificam a exata posição (latitude, longitude e altitude) de uma pessoa na Terra. Hoje, os mapas satelitais gerados por satélites de navegação são fundamentais para a navegação aérea, terrestre e marítima.

“Toda a produção agrícola do mundo é monitorada por imagens de satélite”, informa o CTO da Agronow. Mas será que essas informações são utilizadas pelos produtores? Nesta entrevista, Melchiori reflete sobre o novo mundo que se descortina para o produtor a partir do uso dos mapas satelitais. Ele também reflete sobre outros avanços, em diferentes áreas, que a sociedade vivenciará a partir de dados computados pelos satélites, lá do céu, no ar.

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Ao longo dos últimos anos, como a engenharia passou a olhar para a tecnologia dos satélites como uma solução para a agricultura?

Emiliano Melchiori: A tecnologia de satélite é utilizada na agricultura há bastante tempo, principalmente na pesquisa ou em grupos muito qualificados. A observação da terra por meio dos satélites tem mais de 50 anos, mas nos últimos anos aconteceram uma série de eventos que permitiram o desenvolvimento massivo de aplicações que utilizam dados de satélite.

Em 2010, a USGS (Serviços Geológico dos Estados Unidos da América) decidiu liberar o acesso ao banco históricos de imagens da série Landsat, entre outros sensores. Obter esses dados significava um processo bastante burocrático e pensar numa série histórica de dados era quase um sonho para um usuário comum sem participação em algum instituto de pesquisa.

Agora, a ESA (Agência Espacial Europeia) está liberando os dados da moderna constelação de satélites Sentinel para qualquer tipo de uso. O Japão tem liberado o acesso aos dados Aster. O Brasil tem essa possibilidade com a série CBERS.

Como é, na prática, o uso dos mapas satelitais na agricultura? Quais são os usos efetivos deles? Quais são os benefícios que eles trazem para o produtor?

EM: O produtor ou consultor que utiliza dados de satélite de algum tipo possui um nível tecnológico maior que o produtor ou consultor tradicional, seja por utilizar uma ferramenta como a Agronow ou alguma outra metodologia de análises.

No uso tradicional, geralmente são avaliados os mapas de NDVI para detectar variabilidade no desenvolvimento da cultura, mapas de temperatura e umidade em caso de irrigação artificial, índices especiais para estimar clorofila e área das folhas.

Todos esses diagnósticos permitem uma melhoria no monitoramento da fazenda e na tomada de decisões no manejo integrado das culturas. Utilizando dados de alta resolução, são avaliados os estágios iniciais das culturas, a qualidade do processo de semeadura, a densidade, entre outras.

Entre os benefícios diretos para o produtor, estão: aumento da capacidade de tomada de decisões em correlação direta com um maior nível das informações disponíveis, capacidade de gerar produtos muito específicos para uso prático como os mapas de recomendação variável de nitrogênio, análises preliminares de solo, entre outros. Um médico realiza um diagnóstico melhor quando conta com  instrumentos e imagens melhores, o produtor rural também.

Como a Agronow se utiliza dos mapas satelitais para oferecer um serviço de inteligência no mercado?

EM: A tecnologia que desenvolvemos para a Agronow permite utilizar alguns dados armazenadas como base de informação para o nosso produto BV (Business Viewer). As métricas desenvolvidas classificam as propriedades rurais de acordo com as características produtivas. O BV explora essas métricas e oferece resultados para consultas específicas.

Esse produto tem excelente potencial para fazer análises em média e grande escalas. Para grandes produtores, por exemplo, é possível analisar estados e regiões, inclusive países,  contando com as bases de dados adequadas. Um produtor muito grande pode utilizar o BV simplesmente para avaliar de forma geral o comportamento de todas as propriedades rurais.

Uma seguradora pode utilizar o BV para avaliar a produção agrícola de uma determinada região e criar uma política adaptada exclusivamente para uma região. Um banco pode dirigir uma operação de marketing a um determinado setor.

O que podemos esperar dos mapas satelitais em um futuro próximo? Como essa tecnologia vai se desenvolver nos próximos anos?

EM: Na minha opinião, melhor resolução espacial, maior frequência das aquisições e melhor qualidade dos dados obtidos pelos sensores a bordo de satélites em órbita com a terra.

Constelações de nano, micro e satélites de médio porte com sensores customizados para diversas aplicações.

Os projetos maiores como a série Landsat, Sentinel, VIIRS, GOES, NOAA, Digital Globe recebendo maior atenção pela qualidade das informações, estabilidade dos sistemas e arquivos históricos.

A diversidade de produtos e índices que existem hoje deveriam evoluir para convergir em informações mais simples para o usuário final, por exemplo em mapas de recomendação variada de fertilização com N, gerados a partir de imagens recentes ou históricos de imagens. Gerar um mapa de recomendação variada era coisa de alquimista há alguns anos. Agora, é possível gerar com o telefone.

A integração eficiente de múltiplas fontes de dados é uma necessidade: sensores óticos, de radar, drones, fotos de celulares, câmeras estáticas, dados de estações meteorológicas remotas. Todas essas informações gerando uma base de dados enorme para o benefício da produção agropecuária. Uma maior integração entre sistemas e máquinas para simplificar o trabalho e as operações.

Como nossa vida é impactada diariamente por análises oriundas dos mapas satelitais?

EM: A meteorologia é o exemplo clássico e cotidiano de análises de imagens de satélite. Todos os modelos meteorológicos utilizam dados de satélites como entrada para realizar prognósticos. Existem apps para celular que apresentam a animação de imagens GOES para observar as nuvens em tempo real. A temperatura de topo da nuvem indica o desenvolvimento vertical da nuvem e sua consequente capacidade de precipitação de água. Essa informação é excelente.

A planificação urbana eficiente é desenhada com base em imagens de satélites de muito alta resolução espacial.

A terra, oceanos e gelos são monitorados a toda hora pelos diferentes sistemas de sensores em órbita. O Brasil é pioneiro em muitos desses usos. O Projeto Queimadas, do INPE, de monitoramento de focos ativos e área queimadas, é um sistema multissensorial único no mundo.

Outro exemplo é o monitoramento do desmatamento da Amazônia e consequente ação por parte da Ibama ou outras autoridades para fiscalização. Os projetos de monitoramento e controle do cerrado brasileiro é outro exemplo. Tudo é possível de ver desde o ar.

Monitoramento da qualidade do ar é uma temática de muita importância da atualidade e que utiliza dados satelitais para obter indicadores do nível de material particulado e outras substâncias na atmosfera, como ozono, COx, SNx, etc. As doenças relacionadas com a qualidade do ar são causa de milhões de mortes cada ano no mundo.

A exploração em minério utiliza dados de satélites para determinar áreas de exploração baseadas em índices geológicos ou geomorfológico obtidos desses dados.

As aplicações em Defesa e Segurança dos territórios, mares e das fronteiras são uma realidade também.

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