Agtechs brasileiras têm potencial para ganhar o mundo e exportar tecnologia, avalia Pedro Englert, CEO da StartSe

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A série “Cultivando o Futuro, Agora” traz hoje uma entrevista com Pedro Englert, sócio da StartSe (www.startse.com), plataforma digital que tem o objetivo de conectar o ecossistema brasileiro de startups e vem movimentando o setor, com um crescimento vertiginoso.

Englert trouxe para a StartSe conhecimentos adquiridos em uma trajetória acadêmica que inclui graduação em Administração com ênfase em Finanças (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e pós-graduação em Varejo e Serviços (Universidade de São Paulo e Singularity University), além da experiência profissional de 10 anos como sócio da XP Investimentos e CEO do portal InfoMoney.

Atualmente, é CEO da StartSe e sócio de seis fintechs. Entusiasta de tecnologia, inovação e troca de conhecimentos, ele se mostra empolgado com a repercussão da StartSe.

Pedro Englert - CEO da StartSe
Pedro Englert – Foto/Divulgação

“Nosso maior objetivo com a StartSe é conectar as pessoas e empresas com a ‘Nova Economia’. Precisamos de um Brasil competitivo e empreendedor, e estarmos na vanguarda do conhecimento é fundamental. Os resultados obtidos são muito superiores ao que esperávamos”, comenta.

A StartSe conta com 1 milhão de usuários únicos e organizou 15 eventos em 2017, reunindo 21 mil participantes, além de ter levado mais de 400 pessoas para o Vale do Silício. Na plataforma, é possível interagir em grupos de discussão, se capacitar com conteúdo gratuito e fazer negócios com grandes empresas e investidores, por meio de programas de seleção de startups.

Como bons empreendedores, ele e os sócios não se acomodam com o sucesso e já preparam melhorias para a plataforma. “O próximo desafio é melhorar a experiência dos nossos clientes, buscando fazer uma oferta de conteúdo e serviços de acordo com as necessidades de cada um. Além disso, estamos buscando novas fronteiras onde a inovação acontece e decidimos que precisamos nos conectar com a China. Em abril abriremos o nosso escritório em Shanghai”, revela.

O empresário acaba de voltar de viagem à China e vê na maneira como o gigante asiático lida com a tecnologia um rumo a ser seguido em todo o planeta.

“A velocidade de mudança do mundo está fazendo com que nossos conhecimentos durem muito pouco. Ao mesmo tempo, temos um mundo aberto cheio de experiências. Eu e meus sócios temos a crença que o nosso principal ativo é a nossa capacidade de criar valor. Para isso, temos um pacto de sempre buscarmos a fronteira do conhecimento. Demoramos muito para ir à China. O que encontramos por lá foi um país que se transformou completamente num período muito curto e que ditará tendências em muitas áreas num futuro próximo. A China é hi-tech e quer se tornar a grande referência mundial nisso. Depois de ver o que vimos, não duvido que eles consigam. Para acompanhar isso de perto e criar uma ponte entre o Brasil e a China hi-tech, decidimos abrir o escritório.”

Panorama no Brasil

A ebulição do ecossistema de startups do país vislumbra boas perspectivas, mas o especialista destaca que alguns aspectos podem ser aprimorados pelos empreendedores.

“Entendo que no Brasil temos uma cultura de olhar mais para o produto, e menos para o negócio. Os empreendedores, de forma geral, se dedicam muito a criar um superproduto e quando conseguem validar a proposta de valor entendem que o desafio maior terminou. Na minha opinião, encontrar um bom produto é só uma etapa do processo e possivelmente os desafios maiores estão por vir. Como exemplo, posso citar que poucos empreendedores conhecem o conceito de CAC (Cost to Acquire a Costumer) e LTV (Lifetime Value). Como podemos tocar um negócio sem olhar para isso?”, indaga.

Apesar das ressalvas, ele enxerga grande potencial nas agtechs nacionais. “Entendo que o mercado agro no Brasil tem potencial de ser um dos maiores do mundo e é um setor em que podemos ser exportadores de tecnologia. Os nossos níveis de produtividade são referência mundial e as fazendas da porteira para dentro são muito adaptadas à tecnologia. A grande fronteira que deve ser mais explorada é a da porteira para fora. Ainda temos muitos intermediários entre os produtores e os compradores finais, que encarecem o processo e que podem ser eliminados com o auxílio da tecnologia”, diz.

Nesse contexto, ele destaca o importante papel das fintechs. “Elas podem ser grandes parceiras das agritechs para melhorar o processo da porteira para fora, eliminando intermediários, trazendo transparência e reduzindo custos de transação”, afirma Englert, que é membro do Conselho da Associação Brasileira de Fintechs.

Para o especialista, é preciso que as empresas se adaptem a uma nova era, em que o desenvolvimento do capital humano e a necessidade de rápida adaptação a mudanças são fundamentais. 

“A tecnologia está libertando o homem de processos manuais e dando a oportunidade de desenvolvermos mais a nossa inteligência. Com isso, as pessoas terão mais tempo para se desenvolverem. Os líderes das empresas precisam estar atentos a isso, a gestão deve deixar de ser focada em processos para focar nos objetivos, pois os caminhos estão mudando rápido e precisamos estar preparados para nos ajustar constantemente, errando rápido e melhorando sempre”, conclui.

 

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