Logística em xeque

Enquanto, da porteira para dentro, o Brasil continua dando exemplo de competitividade e tecnologia na cadeia de produção do agronegócio, da porteira para fora o país ainda sofre com os antigos problemas de infraestrutura que tanto oneram o produtor rural.

O mais novo exemplo desse gargalo logístico é o da supersafra de soja, que teve grande parte de seu escoamento encalhado por causa do excesso de chuvas na rodovia BR-163, que liga o Mato Grosso aos portos do norte do país.

Com mais de 100 quilômetros não asfaltados, as chuvas do início de março criaram atoleiros no trecho, impossibilitando a passagem dos caminhões. Uma fila de quase 50 quilômetros se formou desde então, com os caminhões parados na rodovia.

O prejuízo, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, pode chegar aos R$ 350 milhões, contando as perdas de contratos e multas por atrasos.

O caso recente coloca mais uma vez a logística como o “x” da questão no setor do agronegócio. Afinal, quanto o país deixa de ser competitivo por conta dessa verdadeira pedra no sapato de toda a cadeia do agro?  Há solução para este problema de tantos anos?

Para o engenheiro agrônomo e professor do curso de agronomia da Unitau (Universidade de Taubaté), Paulo Forte, a saída pode estar nos trilhos.

“Todas as soluções envolvem investimentos de longo prazo. Mas, por que não investirmos em uma rede ferroviária interligada à portuária? Teríamos uma diminuição nos custos e agilidade no transporte. É uma saída barata, mas que infelizmente nunca está nos planos de governo algum”, explica.

De acordo com o engenheiro, o grande problema, principalmente para a soja, é que a produção na região central do país carece de grandes rodovias para chegar ao escoamento pela via portuária. A saída, segundo ele, tem sido as vias mais caras, que chegam ao sul e sudeste, nos portos de Paranaguá (PR) e Santos (SP), respectivamente.

Esvaziamento

Reportagem na edição de 13 de março, da Folha de S.Paulo, confirma a tendência apontada pelo especialista. De acordo com a publicação, após os atoleiros e as filas do início do mês, as transportadoras rumaram para vias mais ao sul do país.

Segundo apurou o jornal, essa migração pode gerar um custo adicional de R$ 2,5 milhões por dia para o transporte da soja no país.

“Isso é um exemplo de quanto encarecemos o custo final. Façamos uma comparação do Brasil com os Estados Unidos, por exemplo. Se fossemos ficar apenas no custo de produção, a nossa soja teria um valor muito mais competitivo. Mas quando colocamos na conta o quanto a infraestrutura onera nosso escoamento, acabamos entregando um produto mais caro”, conclui Forte.

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