Fintechs, uma revolução no agronegócio

Riscos. Eis uma palavra que todo o produtor do agronegócio aprendeu a conjugar assim, no plural. Isso porque as culturas estão sempre sujeitas a uma série de intempéries. É o tempo que pode virar, uma praga capaz de infestar toda a plantação ou a chuva que vem antes ou depois da hora. Todas essas incertezas pesam para o empresário do setor na hora de oferecer garantias para conseguir um bom financiamento, um empréstimo ou um seguro para a sua plantação.

Este entrave com as instituições financeiras, porém, está prestes a sofrer uma revolução. E a responsável por essa mudança atende por um nome complicado, mas que logo estará na boca dos produtores: fintech.

As fintechs são startups que criam soluções tecnológicas para o sistema financeiro, proporcionando inovações e rompendo alguns paradigmas presentes nas instituições tradicionais. Tais empresas atuam nas áreas de consumer banking, negociação de dívidas, investimentos, empréstimos e seguros, entre outros.

Nessa vertente, a Agronow, startup de previsão e monitoramento de safras, muito em breve se tornará uma aliada e tanto dos produtores rurais, solucionando aquele problema da garantia citado no início do texto. Quem garante isso é o sócio gestor do grupo de investimento SP Ventures, Francisco Jardim.

Recém-chegado de uma viagem ao Vale do Silício (EUA) – meca das ideias que vêm revolucionando o mundo –, o executivo está eufórico com uma revolução iminente nas relações entre empresários do campo e instituições financeiras.

“O serviço de previsão e monitoramento de colheita oferecido pela Agronow vai oferecer às instituições financeiras todos os dados que elas precisam como garantia para as próximas safras. O que acontece atualmente é que não há uma segurança por parte da instituição financeira para se salvaguardar na hora de oferecer um seguro ou financiamento. Isso encarece as linhas de crédito e, principalmente, os seguros de plantação”, explica Jardim.

Smart satélites

O investidor esclarece que as tecnologias baseadas em imagens por satélite evoluem vertiginosamente. Ao invés de oferecer apenas os dados frios (imagens, temperatura, tipologia geográfica), as novas tecnologias são capazes de interpretar essas informações, chegando a uma precisão confiável a respeito do futuro das safras.

“Para deixar bem claro: vamos supor que uma seguradora faça uma pesquisa utilizando dados oferecidos pelo Waze (aplicativo de trânsito). Com informações sobre a conduta do motorista, se ele corre mais do que o limite de velocidade, se dá seta para mudar de faixa ou se trafega muito com o carro, a empresa pode oferecer um valor diferenciado para quem oferece menos risco. É mais ou menos assim que a Agronow pode baratear o seguro de uma fazenda”, esclarece.

Desta forma, clientes com melhores condições climáticas, de solo e de cuidados com a plantação seriam beneficiados. Na prática, este conceito de fintech viabiliza os seguros em países como o Brasil, onde o preço do serviço o torna inviável para a maioria dos produtores.

“O negócio do produtor não é especular. É plantar, garantir que a plantação vai crescer,  precaver-se como pode. Mas não é papel dele prever uma inundação ou qualquer intempérie que possa prejudicar a colheita. Com uma tecnologia de dados mais personalizados, as instituições já podem checar se esse produtor fez tudo direitinho e que o risco é baixo o suficiente para garantir um seguro”, argumenta Jardim.

A força das startups

Apesar de se tratar de uma mudança irrefreável, o executivo alerta que as grandes corporações do universo agrícola ainda não se deram conta da importância de investir em tecnologia. Para Jardim, a falta de visão destes gigantes pode custar caro em um futuro não tão distante.

“Há casos recentes de verdadeiros impérios que foram engolidos por causa do uso da tecnologia. Vejam o exemplo da Kodak, só para citar um. As ideias inovadoras no ramo do agronegócio estão na mão de startups. Nos grandes conglomerados, esses investimentos caem na conta do marketing, que está mais ligado à venda e valorização da marca do que propriamente a inovação”, alerta.

Portanto, produtor, não se espante se, muito em breve, a tecnologia alterar bastante a forma de se relacionar com as instituições financeiras. São os novos tempos trazendo notícias animadoras.

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