Com herdeiros ‘tecnológicos’, sucessão familiar ganha força no agronegócio

A sucessão é assunto que vem ganhando novos contornos e tem inspirado debates no cenário do agronegócio. O 6º Fórum Nacional de Agronegócios, realizado no mês passado em Campinas (SP), teve como tema central a sucessão de gerações profissionais dentro do setor e os avanços tecnológicos que deverão ser incorporados pelos novos representantes do agronegócio nacional.

Um dos aspectos mais discutidos na atualidade é a questão do processo sucessório familiar, tão comum nos negócios do campo, que tem sentido os efeitos da chegada de soluções tecnológicas inovadoras criadas para melhorar a gestão do agronegócio.

Para a psicóloga e coach de herdeiros Renata Bueno, que desenvolve tese de doutorado na PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo sobre “Carreira do Herdeiro e Sucessão Familiar”, as mudanças tecnológicas e de gestão no agro afetam diretamente o crescimento e sustentabilidade do negócio.

“Hoje, muitas empresas de agronegócio investem em softwares de gestão para toda a cadeia produtiva. A fazenda que não acompanhar esta demanda ficará desatualizada e perderá mercado”, destacou.

Esse cenário traz novas dinâmicas para as sucessões, especialmente nas familiares. Segundo a especialista, um dos desafios é o diálogo entre o empreendedor e seus filhos, que pode abrir espaço para que os jovens se sintam motivados a contribuir naquilo que supostamente possuem maior habilidade: o acesso à tecnologia.

“Para que esta demanda tecnológica seja abraçada por aquele fazendeiro que sempre fez a gestão sem este recurso, é fundamental o diálogo entre as gerações, com respeito à origem, cultura e história do negócio. A tecnologia é fundamental para a sustentabilidade, mas não exclui todo o know-how construído até então. O ganho será integrar a tecnologia com a inteligência e conectar-se com a inteligência artificial”, afirmou Renata, que atua em São José dos Campos (SP) e no Escritório de Desenvolvimento de Carreira da USP (Universidade de São Paulo).

A pesquisadora vislumbra o atual momento como propício ao surgimento de novas lideranças no campo. “Com o advento da tecnologia, muitos jovens têm abraçado a sucessão no agronegócio. Cada vez mais acontecem iniciativas e espaços para formar estes herdeiros e capacitá-los para gestão e sucessão nos negócios”, afirmou, citando o 6º Fórum de Agricultura da América do Sul – que terá o tema “O campo digital e conectado: O grande desafio do Século 21” – como uma dessas iniciativas.

A coach de herdeiros elencou os principais desafios que enxerga nas sucessões familiares. “Estabelecer planejamento, aderir à cultura do diálogo, fazer acordos sobre o que pode e o que não pode dentro do negócio da família, distinguir e atuar nas esferas do patrimônio, empresa e família”, afirmou a psicóloga, destacando que até mesmo herdeiros que não tenham tanto contato com o campo podem se capacitar para enfrentar o desafio.

É fundamental que o herdeiro conheça e se profissionalize para que a gestão seja bem sucedida. Em qualquer negócio, se não existe conhecimento e capacitação técnica, a condução não será efetiva”, concluiu.

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