Chegou a hora do agronegócio assumir a dianteira no desenvolvimento da sociedade urbana, afirma José Luiz Tejon

Diretor do Núcleo de Estudos de Agronegócio da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), conselheiro da ABMRA (Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio), comentarista no rádio e TV, além de autor de dezenas de livros e incontáveis artigos em publicações no Brasil e exterior, José Luiz Tejon Megido é uma voz importante quando se trata das questões do agronegócio brasileiro.

Com uma história de vida de superação e carreira acadêmica riquíssima – que inclui mestrado em Arte e Cultura, doutorado em Ciências da Educação, especialização em Agribusiness (Harvard) e Marketing (Pace University) e graduação em jornalismo e publicidade – Tejon é referência em uma gama variada de assuntos e se tornou palestrante internacional de sucesso, tratando temas como liderança, motivação, marketing, educação, cooperativismo e, é claro, agronegócios.

O conceito de agrossociedade, por exemplo, tem sido bastante tratado pelo palestrante ultimamente. “É algo mais amplo do que somente as cadeias produtivas clássicas do agronegócio. Envolve toda a sociedade urbana alavancada pelo agro: a educação, os serviços de uma cidade, as cadeias da construção, metal, mecânica, saúde, mineração, transportes, profissionais liberais, micros, pequenos e médios empresários do comércio. Enfim, toda uma sociedade que orbita e se conecta com os fundamentos econômicos do agronegócio, além dos novos conceitos de sustentabilidade, qualidade de vida, entretenimento e mídia”, comenta.

Referência na área de palestras sobre liderança, Tejon destacou a importância do surgimento de líderes neste momento do país. “Novas lideranças irão surgir com a falência das antigas. Sobrarão das anteriores as mais éticas e que atuaram com uma visão de longo prazo. O agro será um berço de valiosas e legítimas lideranças para o Brasil, e isso já começou.”

Apesar da crise econômica do país, ele vê com otimismo o setor do agronegócio. “O cenário é extraordinário. O Brasil será a plataforma mundial de segurança alimentar, o reino da paz no mundo. Produziremos alimentos e seremos o símbolo do cinturão tropical do planeta alegre, humano e provedor de comida de elevada qualidade.”

Marketing no Agro

O especialista enxerga lacunas no desenvolvimento do marketing por alguns dos principais atores do agronegócio no Brasil. Para ele, há um ótimo nível de excelência no “antes da porteira” (sementes, máquinas, veterinários, insumos) e no “pós-porteira” (agroindústrias, serviços de alimentação, supermercados). O problema é no “dentro da porteira”.

“Temos um vácuo. As organizações das diversas categorias não atuam de maneira convicta e de longo prazo no marketing da sua categoria. Ou seja, falta marketing do leite, das carnes, do milho, da soja, do arroz, do feijão, da hortifruticultura, do etanol, da celulose. Vem aí um desafio imenso de marketing da ciência e da tecnologia para educar consumidores finais e a sociedade como um todo”, afirma.

Segundo o pesquisador, a valorização das culturas regionais é um caminho fundamental para estabelecer paradigmas de sucesso no agronegócio.  “As culturas regionais são sagradas, pois são elas que embalam as decisões da estética e da ética de tudo o que é feito numa particular região do mundo. A cultura cria, alimenta, diferencia e embala tudo ao seu redor. Por isso, o conselho: estimulem o teatro, as artes, os valores, e as riquezas da sabedoria humana de cada cidade e de cada região brasileira. Isso vende; isso faz marketing. Um marketing original, puro e único.”

Para reforçar seu ponto de vista, cita as canções de Almir Sater (“Pantanal”) e Nilson Chaves (“Amazônia”), a linguiça de Maracajú (MS), a carne da Alianza Del Pastizal (Cone Sul) e até o auge do Santos Futebol Clube na cultura globalizada do café brasileiro dos anos 1950 e 1960 como exemplos da ligação do agro com a cultura.

Envolvido com o meio acadêmico, Tejon julga importante apoiar projetos que envolvam as universidades e a cadeia produtiva, dando mais visibilidade a iniciativas de startups, cooperativas, estudos de caso e formação estratégica da administração de marketing, que vêm sendo desenvolvidos em instituições de ensino como ESPM, USP, FGV e Universidade do Café Illy.

Por fim, citou a questão que considera mais premente no agronegócio nacional. “Hoje, principalmente, a organização e orquestração das cadeias produtivas, com comissões que falem, gerenciem e respondam por todos os elos de cada cadeia. Não existe agronegócio sem a liderança e o comando da cadeia produtiva como um todo. Isso faz falta e o país precisa dar saltos gigantescos nessa liderança e, enquanto isso, aprimorar o seu diálogo com toda a sociedade, assumindo a agrossociedade.”

José Luiz Tejon - Créditos Mari Braunn

José Luiz Tejon – Créditos Mari Braunn

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