A aldeia global do agronegócio: discussões sobre agricultura de precisão e agronegócio 4.0 ganham as redes sociais

Quando o filósofo canadense Marshall McLuhan (1911-1980) criou o termo “aldeia global”, ele não imaginava que um técnico agrícola no interior do Brasil, no sul do estado de Goiás, ia se apropriar com tamanha eficácia da expressão, reunindo pessoas dos mais variados lugares e interesses dentro da “galáxia do agronegócio”.

Explicamos: em “A Galáxia de Gutenberg”, em 1962, McLuhan cunhou pela primeira vez a expressão “aldeia global”, que explica um mundo interligado a partir da evolução das tecnologias de comunicação. Mais do que nunca, a escalada do acesso à internet e, consequentemente, à informação, por meio dos aparelhos eletrônicos móveis, comprova que vivemos uma aldeia global, onde a mesma informação está disponível em todos os lugares do mundo ao mesmo tempo.

De Itumbiara (GO), Maikol Carvalho de Souza, 30, nunca pensou em criar uma aldeia global – ou uma galáxia do agronegócio, numa brincadeira com o tema do livro de McLuhan. Contudo, ao reunir estudantes, técnicos, agrônomos, produtores rurais, professores e acadêmicos em grupos temáticos nas redes sociais, ele criou uma verdadeira aldeia de apaixonados pela lida do campo e pelas possibilidades que a tecnologia trouxe às fazendas.

Maikol trabalha há oito anos no agronegócio, dedicando-se à agricultura de precisão a maior parte da carreira. A aldeia do agronegócio, porém, só surgiu no ano passado, após um encontro de profissionais do setor, o Congresso Nacional Online de Agricultura de Precisão. Na ocasião, às pressas, acabou criando um grupo no WhatsApp para que os participantes pudessem manter contato. À época, eram “cerca de 70 participantes” que concordaram em “restringir o acesso somente a pessoas interessadas no assunto”, conta Maikol. “Pedi aos membros que convidassem conhecidos do setor da agricultura de precisão e, assim, o grupo foi crescendo e se desenvolvendo”, explica.

Para manter a disciplina, pulso firme. “A qualidade (das discussões) e a repercussão (positiva) do grupo se dão muito pelo meu rigor na administração, não permitindo mídias fora do contexto”, garante Maikol.

Maikol Carvalho de Souza

Maikol Carvalho de Souza, técnico agrícola, trabalha há oito anos no agronegócio.

A aldeia ganhou nome, AP (iniciais de agricultura de precisão) Brasil, e corpo desde então. No WhatsApp, são 953 membros. O Facebook reúne 5.400 seguidores e o Instagram, 3.250. “O público dessas redes sociais foi selecionado a dedo, em um trabalho de formiguinha, convidando um a um”, conta Maikol. “Os conteúdos são técnicos e buscam agradar quem realmente quer saber sobre agricultura de precisão e temas correlacionados.”

Discussões

Com perfis variados, os assuntos e as trocas de experiências permeiam toda a vivência do campo. “Falamos de termos técnicos, discutimos profundamente as tecnologias e seus usos, seus resultados, técnicas, métodos, tipos de manejo, fertilidade”, explica Maikol. Atualmente, lembra, debatem as UGDs (Unidades de Gestão Diferenciadas).

Maikol é um apaixonado por tecnologia – e defende com afinco seu poder transformador. “A tecnologia representa ganho em produtividade, mas se usada em conjunto com uma boa agronomia e experiência, traz o que realmente importa para o produtor rural, que é rentabilidade.”

Ao mesmo tempo, sabe que toda novidade muitas vezes é vista com desconfiança, especialmente em um ambiente tradicional como as fazendas. Para tanto, vê também na tecnologia – é claro – uma solução. “Aos poucos estamos quebrando essa resistência, já que o produtor, no geral, ainda não tem a real consciência do retorno que o uso da tecnologia pode trazer”, afirma, apontando as redes sociais como um canal de comunicação importante para a difusão dos ganhos com o Agronegócio 4.0, por exemplo.

“Produtores que já fazem uso das tecnologias são peças-chaves, pois temos no Brasil uma cultura de copiar o que o vizinho está fazendo. Então, essa comunicação é importante”, destaca Maikol.

Além das discussões acerca da lida no campo, as aldeias do agronegócio nas redes sociais também conectam os produtores a empresas e investidores. Essas relações, para Maikol, são fundamentais para “abrilhantar” ainda mais o futuro da agricultura brasileira. “Nossa nação nasceu com uma aptidão inegável para o agronegócio e temos muitas áreas para explorar, sem ter que desmatar. As tecnologias da agricultura de precisão permitem o crescimento vertical da produção, são tecnologias sustentáveis que preservam o meio ambiente, que fazem uso consciente e racionalizado dos recursos naturais, que evitam contaminações dos solos, águas e alimentos.”

Na era da agricultura digital, as tecnologias ao alcance da mão e a comunicação são horizontais – e todos podem participar e trocar experiências. Que tal fazer parte dessa aldeia?

A Agronow apoia essa ideia.

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  • Gostaria de participar do grupo de WApp de AP.

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