Gestão de dados e informação, o futuro do agronegócio

“As tendências apontam que o setor agropecuário demandará novas TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação) para gestão de dados, informações e conhecimentos em todas as etapas da cadeia produtiva em uma nova infraestrutura onde os mundos físico e digital estarão totalmente interconectados.”

A chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária, Silvia Maria Fonseca Silveira Massruhá, é um defensora da agricultura digital, ou Agricultura 4.0. Para ela, é a inovação que vai garantir o atendimento da demanda por alimentos no futuro.

“O papel da inovação passa a ser essencial para garantir que as próximas gerações possam ser alimentadas, com qualidade. Para isso, é preciso que ocorra uma transformação na forma como produzimos alimento”, explica ela.

Na última reportagem da série sobre a revolução que a agricultura digital está promovendo no campo (leia também sobre a Agro 4.0 e as startups do agronegócio aqui no site da Agronow), a pesquisadora mostra-se confiante com o trabalho que realizado pelas empresas de tecnologia do campo.

“Além do aumento da demanda, a produção de alimentos enfrenta outros desafios que tornam o contexto ainda mais complexo, como: as mudanças climáticas, que interferem na capacidade produtiva; e restrição de recursos naturais, como a água e o solo”, explica. Então, segundo ela, além de aumentar a produtividade, “é preciso utilizar uma abordagem mais abrangente, que envolva produção e consumo sustentável, de forma a garantir a segurança alimentar para as futuras gerações.”

“Com certeza, há espaço para inovação na agricultura brasileira. As principais vantagens de introduzir este conceito de agricultura digital no Brasil estão relacionadas à superação dos desafios apresentados na agricultura, principalmente o de aumentar a produção agrícola sem ampliar a área plantada significativamente; daí surgem novas oportunidades para a utilização de inovações na área de TIC”, explica Silvia.

Nos últimos 50 anos, a capacidade produtiva na agricultura praticamente triplicou. “Isto permitiu, em um âmbito global, que o aumento na produção de alimentos acompanhasse o aumento populacional”, afirma a pesquisadora da Embrapa.

Com novos desafios postos à mesa, Silvia é categórica ao afirmar que “é fundamental o desenvolvimento de diversos setores associados à tecnologia, tais como telecomunicações, serviços de Computação em Nuvem (Cloud Computing) e Análise de Dados e automação, de modo que os produtores que necessitem de novas tecnologias possam garantir sua competitividade e sustentabilidade no mercado nacional e internacional”.

Cenário nacional

Para a consolidação da Agro 4.0 no Brasil – passo indispensável para a economia do país – é preciso olhar com mais atenção à conectividade no campo. “A dificuldade para acessar a internet ainda é um dos limitantes para o avanço dos aplicativos móveis no meio rural”, diz Silvia. “Entretanto, os indicadores de uso vêm melhorando ao longo dos anos. A pesquisa TIC Domicílios 2015 divulgada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), por meio do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), apontou avanço do uso dos telefones celulares para acessar a internet tanto no meio rural quanto no meio urbano”, completa ela.

Em 2015, segundo a pesquisa, a proporção de pessoas com telefone celular na região urbana era de 86% e de 71% na rural. Do total, 90% já acessaram a internet na região urbana e 85% na região rural.

“No contexto rural, a agricultura familiar é parte importante da produção nacional de alimentos. Este setor reúne cerca de 5 milhões de estabelecimentos rurais entre pequenos e médios produtores, configurando 88% dos estabelecimentos rurais do país, 24% da área agrícola e 74% da mão de obra no campo (12 milhões de pessoas). Um outro desafio é a capacitação para os pequenos e médios produtores”, resume Silvia.

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