Agro 4.0 já é indispensável para a vida no campo, defende pesquisadora da Embrapa

Potência agrícola, conforme definição do respeitado jornal norte-americano “The Wall Street Journal), o Brasil é hoje protagonista no mercado agrícola mundial graças ao emprego da tecnologia no campo. E “a evolução é contínua e agora se consolida uma nova era de tecnologia agrícola”, explica a chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária, Silvia Maria Fonseca Silveira Massruhá. “Hoje já não existe mais separação entre os mundos físico e virtual, conectados para facilitar a vida das pessoas na vida urbana, e também é uma tendência no ambiente rural.”

A Agricultura 4.0, ou Agro 4.0, segundo ela, já é indispensável para a vida no campo. “Estima-se que 95% do aumento da produção mundial de alimentos daqui em diante terá que vir de ganhos de produtividade, e tecnologias que auxiliem o agricultor a fazer mais com menos, de modo mais eficiente, rápido e com menos custos serão cada vez mais necessárias”, explica Silvia.

Em três capítulos, a Agronow lança hoje uma série de reportagens sobre a revolução que a agricultura digital está promovendo no campo, a partir dos estudos e avaliações da pesquisadora da Embrapa, que é doutora em Computação Aplicada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

Neste primeiro capítulo, Silvia fala sobre a Agricultura 4.0 e seu emprego no campo, pontua a importância da inteligência artificial e explica como a tecnologia se tornou indispensável para o produtor.

Leia, a seguir, a entrevista concedida à Agronow:

O que significa a Agricultura 4.0 na prática? Como a inteligência artificial e o big data mudam a vida no campo e os negócios do produtor rural?

Definimos a Agricultura 4.0 (Agro 4.0), também chamada de agricultura digital, como uma agricultura em que a produção estará cada vez mais baseada em tecnologia de ponta, conteúdo digital e conectada. Essa definição é uma referência à Indústria 4.0, inovação que teve início na indústria automobilística alemã e que agora conquista fábricas de diversos segmentos devido à completa automatização proporcionada aos processos produtivos. A Agro 4.0, ou melhor, a agricultura digital, visa empregar tecnologias da informação e da comunicação, além de métodos computacionais de alto desempenho, rede de sensores, comunicação máquina para máquina (M2M), conectividade entre dispositivos móveis, computação em nuvem, métodos e soluções analíticas para processar grandes volumes de dados e construir sistemas de suporte à tomada de decisões de planejamento e manejo em toda cadeia de valor da agricultura. Além disso, contribuirá para elevar os índices de produtividade, da eficiência do uso de insumos, da redução de custos com mão de obra, melhorar a qualidade do trabalho e a segurança dos trabalhadores e diminuir os impactos ao meio ambiente.

Fala-se muito no ganho de produtividade em toda a cadeia com a introdução de soluções tecnológicas. Até que ponto esse ganho é real, é possível mensurar? Que outros ganhos a agricultura e a agropecuária podem ter com a aplicação da tecnologia da informação?

Estima-se que 95% do aumento da produção mundial de alimentos daqui em diante terá que vir de ganhos de produtividade, e tecnologias que auxiliem o agricultor a fazer mais com menos, de modo mais eficiente, rápido e com menos custos serão cada vez mais necessárias. Espera-se que com sistemas avançados de monitoramento, rastreabilidade e controle seja possível mensurar esse ganho de produtividade e outros indicadores agronômicos, sociais, econômicos e ambientais que garantam a segurança e a sustentabilidade dos alimentos. A agricultura digital será capaz de conectar informações e dados de modo a maximizar os benefícios de todas as outras tecnologias já existentes, e que as estão por vir. Mais que isso, a próxima evolução da tecnologia da informação, a Internet das Coisas, redefine a maneira como interagimos com o mundo físico e viabiliza formas mediadas por computação – até então impossíveis – de produzir, fazer negócios, gerenciar infraestrutura pública, prover segurança e organizar a vida das pessoas

Como os produtores lidam hoje com a tecnologia? Os grandes ainda demonstram resistência com a ideia de inovação? Eles investem? E os pequenos? Como é o acesso deles a essas ferramentas? O uso da internet é crescente, sabemos. Mas como é no campo?

Os grandes produtores, embora às vezes ainda resistentes, têm mais facilidade para introduzir a inovação, tanto do ponto de vista econômico, como social, ambiental e de infraestrutura. Esta tendência fica explícita no centro-sul do Brasil. Entretanto, os pequenos e médios produtores têm mais dificuldade em relação à infraestrutura de comunicação e conectividade e também em relação a recursos humanos capacitados no campo.

A partir da análise do Washington Post, que avaliação a Embrapa faz da agricultura brasileira hoje e que projeções faz para 2020 e 2030?

A tecnologia empregada no campo foi determinante para que a agricultura brasileira alcançasse o patamar atual. A evolução é contínua e agora se consolida uma nova era de tecnologia agrícola. Hoje já não existe mais separação entre os mundos físico e virtual, conectados para facilitar a vida das pessoas na vida urbana, e também é uma tendência no ambiente rural, embora mais lenta dadas as condições de infraestrutura física e recursos humanos no campo.

As projeções mundiais apontam que será grande o impacto da era da agricultura digital no campo, considerando que a agricultura digital engloba a agricultura e a pecuária de precisão, a automação e a robótica agrícola, além de técnicas de big data e a Internet das Coisas. A cada dia mais “coisas” (máquinas, cidades, elementos de infraestrutura, veículos e residências) se conectam à internet para informar sua situação, receber instruções e até mesmo praticar ações com base nas informações recebidas. A possibilidade de ligar o mundo físico à Internet e a outras redes de dados tem profundas implicações para a sociedade e a economia. A Internet das Coisas torna possível monitorar e gerenciar operações a centenas de quilômetros de distância, rastrear bens que cruzam o oceano ou detectar a ocorrência de pragas ou doenças na plantação.

O uso das TIC e das novas tecnologias digitais é um caminho sem volta no mundo rural. Na era do Agro 4.0, a tecnologia da informação e comunicação (TIC) é a mola propulsora e integradora dessa inovação dentro e fora da cadeia produtiva, por ser utilizada em aplicações no melhoramento genético, biotecnologia e bioinformática, na pré-produção; agricultura de precisão e equipamentos diversos, na produção; melhorias na logística e transporte, na pós-produção. Todas estas tecnologias e inovações estarão cada vez mais conectadas, auxiliando na tomada de decisão e gestão rural.

Na próxima reportagem, que será publicada na sexta-feira (dia 26), Silvia Massruhá faz um balanço das tecnologias voltadas ao agronegócio no Brasil.

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